quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Endividamento começa no início do mês

Nos inícios dos meses, a maioria dos trabalhadores recebe seus salários, contudo, muitas vezes esses não cobrem nem mesmo o limite tomado do cheque especial. Infelizmente esta é uma constatação de milhões de famílias brasileiras. Prova disto são os dados de levantamento realizado pelo Banco Central.
Segundo a pesquisa, se concentra entre os dias 1º e 10 do mês a entrada das pessoas no cheque especial, quando a média é 26,1% maior que no restante do mês. No cartão de crédito, o uso do rotativo é 59,8% maior entre os dias 5 e 15.
Isso mostra que os consumidores trabalham de forma totalmente errada o dinheiro, incorporando aos salários o limite da conta e o pagamento mínimo do cartão para fechar o mês. Ficando, com isso, pendurados nas linhas de créditos e esperando até o próximo salário. O mais grave é que este processo passou a ser uma rotina, prejudicial à saúde financeira.
O maior problema é que muitos acreditam que isso é normal, o que não é, pois, é possível mudar essa realidade, e para isso deve-se fazer escolhas e ter atitudes. Tomando o controle de sua vida financeira. Para facilitar esse caminho preparei dicas para que se mude esse quadro:
1.    O primeiro passo é reunir a família para conversar sobre sonhos e objetivos, antes de falar em cortar despesas é necessário estabelecer os sonhos e saber quanto custa, entre eles estará o sonho de sair das dívidas;
2.    Dividir os objetivos em curto prazo (até um ano), médio prazo (até dez anos) e de longo prazo (acima de dez anos);
3.    No caso das dívidas é preciso detalhar qual são os credores, o quanto se deve, taxas de juros, se esta vencida ou a vencer e estabelecer uma estratégia para liquidar este problema;
4.    Não procurar o credor antes de ter absoluto controle do dinheiro que entra e que sai, é preciso saber para onde vai cada centavo e cortar os gastos em excesso e supérfluos;
5.    Caso o credor, queira receber imediatamente ou parcelar em condições que não caibam as prestações no orçamento, é preciso dizer não, negociando sempre a melhor alternativa para ambos;
6.    No caso do cheque especial é preciso imediatamente procurar o gerente da conta e propor um cancelamento do limite e uma substituição de linha de crédito alongada, com juros que não ultrapassem 2,5% ao mês;
7.    Cuidado com gastos motivados pelo marketing publicitário, compre sempre com consciência, é preciso ter muita atenção e foco no que se quer e sonha;
8.    Nunca "empreste" seu nome para parentes e amigos. Se eles não podem usar o próprio nome é porque provavelmente já estão com problemas de endividamento. Caso peçam, ajude-os a serem inseridos no caminho da educação financeira;
9.    Quem tem prestações tem dívidas. Ao comprar, pense nas consequências de dividir os valores, é preciso saber que os próximos meses no orçamento estas prestações estarão comprometendo diretamente os ganhos futuros;
10. É preciso em reservas para emergências e também para a aposentadoria, a prevenção é o melhor caminho para não cair nas armadilhas financeiras.
Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, autor dos  livros Terapia Financeira e O Menino do Dinheiro e da primeira Coleção didática de Educação Financeira para o ensino básico, presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira,  www.dsop.com.br .

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